05 junho 2013

um son(h)o sem destino ou uma carta em branco

Esta noite invadiste-me os sonhos, acordaste-me e eu, sem saber se era sonho se vida, procurei, em vão, pelos bons dias com que sempre me presenteavas. Senti, como o Sonhador sem nome, que passei a noite a fazer dia.

Desejo passar os dias à frente, para que não me sejas tão penoso; como quem faz a cama de lavado. Afundar memórias. 
Fomos muito de tudo e nada de tudo também. Fomos viagem cruzeiro. 

(nas paredes das belas artes recordo-me de ler qualquer coisa como nada é tudo o que vejo)

Todas as palavras que escrevo são inúteis, como pratos vazios, corpos vazios cheios de nada, casas sem telhado, tecto sem chão, terra morta de tanto pisada, ruas vazias, cigarros queimados pelo esquecimento, secadores ao vento, ...

Na pele destes dias, o mar que fomos desapareceu no céu que ninguém vê. Esse mesmo céu que sempre foi a minha terra. E hoje quem me navega é o mar. 

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