06 junho 2013

"quero morrer com vida" (Clarice Lispector)


eram as palavras do título as que sublinhava quando me encontraste. (vou fazer de conta que foi o destino, porque é mais bonito, e também, porque o destino se encarregaria disso)( e  porque como te disse hoje, forço-me a estas elegias, às vezes exageradas. tu sabes os meus porquês. eu não sei nem nunca saberei os teus. é demasiado agonizante isso).

estou bipolar hoje. sinto-me feliz por ter sabido o teu coração melhor que o meu; infeliz por termos morrido com pouca vida.

o meu coração jaz, lentamente, longe de ti.
tudo o que te disse sobre os cantos cantinhos e os chocolates é a mais pura das verdades. e dói a indiferença (que sei aparente) com que passaste essas minhas palavras à frente. tens mais força em ti, que eu em mim. tens mais força em ti que em nós (isto quase que mata!). tens mais força em ti que eu em nós.
logo nós, que fomos verdade e mentira. sem nunca termos sabido dar hipóteses de saber o que as separa.
sei que, ainda, não vieste aqui hoje. não me perguntes como sei. sei-o, porque te conheço o coração e as vontades e desvontades (não me açoites com os olhos por ter inventado esta palavra).

eu encontro-me a um enter de ti. exponho-me e aos meus sentimentos.
há algo de injusto nisto. pouco sei sobre ti, a não sei o que fui lendo nas entrelinhas e o que deixaste escapar. há algo de injusto nisto. tu acompanhas-me. mas deixaste-me sozinha. e não sei mais de ti. sei uma coisa, e tenho-a como certa: que o destino um dia nos abandonará.
(da mesma forma que um dia abandonarei estas escritas tão pouco encobertas, e as remeterei para um caderno, não para que sofras- credo- mas para que me entendas)

o destino, um dia, abandonar-nos-á. e pode ter sido hoje.



Sem comentários:

Enviar um comentário