02 abril 2009

insónia #41


vou-lhe ser sincera amigo. aliás queria ser-lhe sincera, mas faltou-me a coragem ontem. hoje decidi não. és escusado. ela sofre contigo, e eu por arrasto / e não só (confesso-lhe). fazes-me lembrar-lhe e aos seus gestos, aos seus óculos e unhas por cortar. cada vez que lá vou entro por aquela porta. quando a coragem falta, por outra. remexo as gavetas. procuro-o nos bolsos e debaixo dos papéis que forram as gavetas das camisas. encontro papéis dobrados em milésimas partes. digo-lhe só a ela. encontro postais que lhe mandei, desenhos que lhe ofereci, poemas e
bilhetinhos de boa noite. descubro-o desconhecido noutras tantas. chego a casa e uma tablete de chocolate não me chega. e se pensas, amigo, que me prolongas estas gorduras por muito mais tempo com essas tuas manias de deixar tudo para depois estás muito enganado. àgata para ti.

1 comentário:

  1. nadar à tona da independência em outro. o que custa não é virar as costas, é não deixar de ver amigo depois. e o deixar o chocolate. bonito, o teu texto.

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