18 janeiro 2009

noites brancas









CRISTINA GUISE ATRAVÉS DO GOSTO E DO SENTIMENTO

As obras incluídas na exposição Noites Brancas tratarão do gosto e do sentimento. O desenho oscila entre querer ser objecto e querer ser imagem. Podemos sentir e podemos pensar.
O sentimento nasce da emoção que se pensa. As figuras, os seres que nos chegam com a representação das imagens são a possibilidade da Cristina se aproximar da experiência das emoções que as figuras, algures vistas, lhe sugerem. A inclusão do mármore como suporte do desenho é uma questão de gosto. E o gosto é o que se pode discutir, contra o que muitos dizem, pois não é objectivo. É subjectivo, logo aberto à controvérsia, à reflexão e ao aperfeiçoamento perceptivo e conceptual, à sensibilidade e ao juízo, coisas que o nosso corpo e mente muito apreciam. Aquilo que antes era a imagem de uma jovem passa a ser uma pedra com a imagem de uma jovem. Acontece que aliamos à percepção de uma figura, que nos remete para memórias pessoais, a percepção de um material que apela em si para outras memórias e sensações.
A memória de outros tempos chega-nos, cada vez mais, pela foto com a evidência do documento e o mistério do desaparecido. Noutras obras a representação associa-se à abstracção porque se suspeita que a evidência do real, da figura não é, em si, suficiente para a afirmação do gosto, embora seja a única forma de afirmar o sentimento. Noutras obras, ainda, esta necessidade de afirmar ou explorar esta dualidade pode não ser tão evidente, conseguida, ou tão assumida, mas todas elas revelam uma sincera inquietação poética associada a um desejo operativo e expressivo. A grafia muito forte ou vigorosa, mesmo na pequena dimensão, aproxima-se mais da mancha do que da linha, e mais da superfície do que dos volumes ou da luz, confirmando a dimensão sensual e material do gosto. Como vê cada um de nós essa luta entre a necessidade espiritual de evidenciarmos os sentimentos e a possibilidade de afirmarmos o prazer da matéria, que é o gosto? J0aquim Pinto Vieira. 

17.janeiro - 04 março. galeria s. mamede. porto

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