05 julho 2007

um dia...

apenas um entre os que não saber faltar. o de hoje portanto o de ontem por exemplo. hoje fora do comum debruça o de ontem, fica apenas a olhá-lho sem nada que fazer por ele senão apenas olhar. olhar não implica escrever [aqui paradoxo] olhar não implica mais falar. praia. 'a pintura depois da pintura'. pintura não implica descrever com precisão o que a escrita necessitava. depois ela diz-me que a minha vida e viagem são aquilo que faço. dou-lhe razão. por isso me calo também. alguns nascemos ainda com o dito cujo ridículo dom da palavra [que todos têm assim que precisam dela] mas, por chamemos-lhe conveniência capricho principio, recorremos apenas a ela quando o resto e nós mesmos e o outro não é auto-suficiente. quando aquilo que apenas é afinal o 'resto' que não deveria ser necessário existir não tem efeito volta-se a quê? à pintura concerteza... que cá para mim e às tantas a poucos só como para mim o resto das artes tem muito de palavras e certezas. explicações e palavras em demasia podem ser afinal uma velatura que retira o impacto de tudo que de belo existe na vida.

4 comentários:

  1. tenho poucas palavras,quase sempre, mas vontade cresce todos os dias que acordo sem te ter...agora falta-me tempo, muitas vezes. outras vezes ideias. e sempre, sempre porque penso que é suficente a hora que te vejo, o tempo que passamos e rir, a discutir, abraçados. mas vontade nunca. quero construir.

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  2. mas a palavra também tem beleza.
    e lembras-te do hopper? 'if i could put it in words there would be no reason to paint.'
    vale tudo.
    podem ser essa areia nos olhos, mas podem ser tudo antes de qualquer coisa!
    :)

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  3. li9905a palavra tem beleza sim. é unica aida que nunca bela quando isolada. bela nunca quando repetida. bela quando nos leva à imagem de algo que apenas a imagem consegue não dizer e a palavra não chega a ela.

    parêntesis: este post advém da leitura de um livro e de um mix, não de areia nos olhos mas de vento no coração. e o vento faz 'judiarias', ajuda a manhã, atrasa-a com seduções, e levanta as saias. o vento não é como a areia. esta não deixa ver, o vento passa leve, provoca e amigo do Tempo que não se sente passar. onomigo outras quando a manhã se atrasa a chegar. e com ela todos nós.

    este outro 'o gato malhado e a andorinha sinhã' [jorge amado] são palavras. não palavra. palavras sentimento. não descritiva.

    'if i could...' mas não pode.
    não digo não à palavra senaõ não blog. mas acredito-a insuficiente.

    the end: o vento deixa os chinelos à porta quando chega tarde. não se dá por ele em orgão internos. a areia maxuca e cega.

    thanx pelo livro. pela sms. pelo post

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  4. ps triplo: estou de férias. está escuro. não vejo teclado!!! não quero acordar minguém. a manhã...

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