14 novembro 2006

diário #1

Lembro de um professor ter dito que um diário não era escrito senão para ser lido um dia. Não sei se concordo. Que era para que o entendessem um dia. Não que tivessem a tal pena presunçosa do que foi um incompreendido. Não acredito na existência desses seres. Acredito nas pessoas que passam horas dentro de um carro, que querem trânsito infindável [cheios de cigarros e quiçá uma garrafa no banco do lado] para não terem que chegar a lado nenhum. De certa forma, demorar a chegar a lado nenhum é um conforto que raros podem ter. Acredito nas pessoas que no semáforo ouvem nick cave e pensam um dia esta casa que me faz lembrar a da minha avó podia ser minha. Não acredito na produção inteligente e pensada. É uma armadilha. Quando estou só sou eu mesma. Os outros atrapalham. Porque um diário é isso mesmo, aquilo que se quer mostrar aos outros. Não se deve dizer porra isto foda-se aquilo quando existe alguém que nos tenta fazer feliz. Não se pode dizer que se é sózinha, fazer da solidão uma espécie de arte pobre coitada coisas sentimentais de artista autista louca, quando alguém manda flores. Por isso receber flores é mau, ou simplesmente é difícil pintar e fazer pintar com flores?


[aos curiosos: não. não recebi flores hoje]

2 comentários:

  1. Depois disto.... hoje quem recebeu flores fui eu!
    Aliás acho que as recebo todos os dias...
    Obrigada por ajudares a limpar o pó ao sotão!

    mil muas

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  2. de fricky todas temos um pouco...
    outros mil para ti;)

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